segunda-feira, março 26, 2012

Alice e seu barraco de pau a pique com ar- condicionado

Por Andréa Richa


Moradora do Morro da Caixa d`Agua, no Complexo da Penha, mulheres como Alice tem o raro poder de me deixar confusa.

Alice TEM: 18 anos, um filho na barriga, um marido desempregado, uma ligação clandestina de eletricidade (gato) e, “certo conforto” em seu CASEBRE, que conta com: maquina de lavar roupas, forno elétrico, micro-ondas, geladeira, televisão, chuveiro elétrico e a proteção do estado para permanecer nesse mesmo... estado.

Agora vejamos o que Alice NAO TEM: Alice não tem educação, emprego, noção de controle de natalidade, intenções de pagar energia elétrica, pois, como ela mesma diz, ”pagar energia é muito ruim”… e principalmente, Alice não tem planos de mudar essa situação, pois planejamento para ela provavelmente é coisa para o “estado”.

É isso que me deixa pasma, Alice cresceu achando que não precisa ser nada nessa vida, apenas ter o que consegue através do assistencialismo do estado. Para isso basta se inscrever em programas do governo fazendo, por instinto a mesma pratica dos engravatados do congresso. O velho e bom “toma lá, da cá”.

Quer dizer, Alice, que esta grávida de seu primeiro filho, não precisa mais se preocupar com seu futuro, pois o governo federal tem o programa Rede Cegonha, que promete recursos para o deslocamento da gestante às consultas e exames por meio de um vale-transporte. A mãe também vai recebe um vale-táxi para ir à maternidade, caso tenha cumprido todo o pré-natal. E quando o bebe sair do hospital, o programa Criança Cidadã vai ser responsável pela emissão do registro civil de nascimento antes mesmo da alta hospitalar, poupando seu companheiro de qualquer burocracia ou peregrinação e custos no cartório e garantindo sem sombra de duvidas que, no futuro, a criança tenha completo acesso a um titulo de eleitor.

Ah, ela vai ter também a famosa transferência de renda que une o “Bolsa escola”, cartão alimentação, auxilio gás… que ela bem deve conhecer como Bolsa Família. Além disso, fica tranquila em relação aos estudos do herdeiro, pois, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome quer dar um premio em, adivinhe só… dinheiro – a proposta mínima é de R$ 204,00 por ano a alunos de 5 a 8 series do ensino fundamental que sejam aprovados e passem de ano. Mas se o moleque não quiser nada com a hora dos estudos, Alice não deve se desesperar, tendo em vista que o programa Erradicação do Trabalho Infantil, também garante uma transferência de renda para que o seu filho não precise aprender nenhum oficio antes de ter um primeiro emprego com carteira assinada.

Agora, como a vida nos prega muitas peças, caso o filho de Alice, por falta do que fazer ou por simples tendência a fazer besteiras, se envolver com drogas fáceis como o crack, ela pode buscar pelo cartão auxilio financeiro temporário de R$900,00 por mês para o custeio das despesas de internação voluntária do usuário de drogas. Mas se mesmo com todas essas oportunidades, Alice tiver o infortúnio de ver seu filho enveredar pelo mundo do crime tendo que cumprir pena em algum presídio, ainda assim ela poderá contar com o auxilio reclusão, valor médio apurado por família é de R$ 588,43 por mês.

Portanto, mesmo que não se prestem a ser, de alguma forma úteis a sociedade, folgo em saber que o futuro de Alice e seu rebento (e dos tantos que virão a seguir), esta garantido.

Agora, voltando ao que me confunde: Como pode o estado garantir tantos direitos a população inativa e amorfa, sem produzir riqueza, sem diminuir o déficit publico, usando sistema protecionista de estado, sem investimento em infraestrutura para que, a classe dos que pagam impostos trabalhe com tranquilidade e segurança?

Alice não tem culpa de achar que “pagar energia é muito ruim”, pois tudo isso lhe é oferecido com uma única contrapartida: “O seu voto ou o meu dinheiro de volta”.

A sociedade brasileira apenada é quem paga a conta para que todas as “Alices” do Brasil continuem a viver no país das maravilhas.


(Andréa Richa é Atriz, Jornalista e editora do Canal R&R Foco no Fato)

Análise de Hélio Bicudo sobre o Bolsa Familia



8 comentários:

  1. Katia D'Angelo27 de março de 2012 07:22

    E Ninguem para defender a Classe Média ! SEMPRE ESMAGADA PAGANDO A CONTA! DEVIAMOS LUTAR PARA INTRODUZIR ,O cartão empregada para a patroa da Classe Media que não pode pagar tantos encargos,o VALE TAXI para a terceira idade,O Vale Academia,O Seguro Escola,O Seguro do seguro IPVA,E O SEGURO DO SEGURO SAUDE.A verdade é que quando não podemos,perdemos mesmo,ninguém vem nos salvar!

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  2. Verdadeiro seu texto!
    Moro próximo a várias casas e um prédio invadido, perto de centro de Sampa e o que mais se vê são Alices sentadas nas portas vendo seus rebentos brincarem no meio do lixo e esgoto a céu aberto...muito triste isso...

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  3. Excelente, Andréa, espetacular, parabéns mesmo!

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  4. excelente Revoltada ON LINE Andrea Richa !!!! É isso aí, mete a boca !!!
    Ass
    Marcello Reis
    Fundador Revoltados ON LINE

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  5. Gente que lidinha !!Tú es a MUDA de PANTANAl né ...estava fazendo uma busca e te enconrei e esta sumida .Agora virou editora, parabens ...Muito sucesso ...

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  6. Me fez refletir pela primeira vez sobre o comodismo auxiliado portodo esse assistencialismo que de certa forma é sim pelo "bom e velho" toma la da cá, alem da falta de expectiva de muitas Alices que vivem em situações precarias como esta.Texto muito bom Andrea

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  7. Me fez refletir pela primeira vez sobre o comodismo auxiliado portodo esse assistencialismo que de certa forma é sim pelo "bom e velho" toma la da cá, alem da falta de expectiva de muitas Alices que vivem em situações precarias como esta.Texto muito bom Andrea

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